A saga insana das corridas com obstáculos e o verdadeiro preço da superação

Coluna: Patrick Fernando

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A saga insana das corridas com obstáculos e o verdadeiro preço da superação

Se você acha que crossfit é pesado, ou que uma maratona exige coragem, folego e preparo físico, é porque ainda não conheceu as insanas corridas com obstáculos, A Brutus Race Protagoniza esse desafio, não se trata apenas de uma corrida com obstáculos, é um esporte de contato com a terra, com a natureza, com o medo e, principalmente, com o próximo. Onde você não é apenas desafiado, você se desafia! Encarar seus medos em paralelo manter o controle mental e levar sua capacidade física ao extremo.

Em julho de 2026, pisei na linha de largada pela quarta vez de um dos desafios mais incríveis da minha vida! Tudo começou na cidade de Piracaia, a cerca de uma hora da capital paulista. O céu estava azul, o sol já castigava as costas e o cheiro de terra molhada e suor tomava conta do ar. Cada uma dessas quatro vezes me ensinou algo diferente, mas há uma certeza que se renova a cada largada: na Brutus, a força física é apenas a porta de entrada. O que realmente me sustenta é a resiliência mental e o espírito de quem caminha (e se arrastava) ao meu lado.

O percurso é um teste impiedoso de resistência! São mais de 8 quilômetros entre trilhas apertadas, travessias de pequenos rios, trechos de alta elevação, terrenos com buracos, rios de lama que te atolam e puxam para baixo, e aquele solo escorregadio que parece querer te jogar de volta para o início. Ao longo do caminho, somos desafiados por mais de 40 obstáculos dos mais diversos. Mais do que a contagem numérica, o que fica na memória é a sensação de cada um deles que eu sentia até quando dormir naquela noite.

Força, aliás, é uma palavra que carrega muitos significados nesse contexto. Ela não está apenas nos músculos que levantam peso, que suportam o intenso percurso, mas na coragem de se jogar no desconhecido. Lembro de parar por alguns segundos diante de um muro de cordas de mais de 3 metros. A corda de sisal estava áspera, molhada de lama e suor. Meu braço tremia, a respiração estava ofegante, e uma vozinha na minha cabeça sussurrava: "Não vai dar. Você está esgotado, É muito alto. Você sempre teve medo de altura". Foi aí que a superação real aconteceu. Não nos meus braços, mas na minha mente. Fechei os olhos, respirei fundo o ar quente, e simplesmente puxei. Fui subindo palmo a palmo, sentindo os nós da corda rasgarem minhas mãos, e quando finalmente alcancei o topo, soube que venci não o obstáculo, mas a mim mesmo.

O medo não para por aí. Em determinado trecho, um dos rios de lama densa nos engolia até o pescoço. A sensação é claustrofóbica! Meus pés não encontram chão, a lama me puxa para baixo, e o pânico surge rápido! Medo de me afogar, de ser engolido pela água marrom. Foi ali que a parceria se mostrou em sua forma mais pura. Ninguém sai daquilo sozinho! Você estende a mão para o estranho ao lado, sente o peso do corpo dele sendo puxado junto com o seu, e ouve um "Obrigado, irmão" saindo de um rosto completamente tomado pelo barro. Na Brutus, quem ajuda os demais é quem está mais preparado, é esse quem verdadeiramente é o mais forte. Não importa o seu tempo no relógio, importa quantas mãos você segurou ao longo do caminho. Quantos você ajudou a não pular um obstáculo, quantos se superaram com apoio de um desconhecido que estava ao lado.

A prova também é um massacre de força bruta. Sob um sol que parecia derreter a terra, testei minha resistência em provas de força que são verdadeiros martírios. Puxar pneus de caminhão com o peso de um carro, carregar sacos de areia pesados em terreno irregular e, em um dos trechos mais cruéis, transportar toras de madeira rio acima em subidas íngremes. Lembro de carregar a tora, meus ombros queimando, o suor escorrendo para os meus olhos e misturando com a lama seca do meu rosto, formando uma crosta que ardia. A cada passo, eu negociava com o seu próprio corpo: "Só mais dez metros, só mais dez, só mais um pouco.” E quando eu cheguei, a sensação não é de alívio, mas de uma euforia violenta por ter sido mais forte que a dor! Por ter superado o Eu de anterior, e agora, ser um Eu mais forte, mais resiliente, mais preparado para mundo fora daquela arena. Por ter aguentado só mais um pouco, e mais, e mais, e mais um pouco!

Os obstáculos de altura também não dão trégua. Escalar estruturas que passam de 5 metros, com a visão do chão tão distante, exige um equilíbrio que vai muito além do físico. É um jogo de cintura com a vertigem, onde cada centímetro de avanço é uma pequena vitória. Minha estratégia foi observar como os competidores antes de mim estava passando pela prova, com objetivo de escolher a forma mais segura de passar por estes obstáculos, pois, em caso de queda, eu sei que os danos seriam graves. Seguido de ir devagar e com calma, para não errar onde eu pisava, e por fim, não olhar para baixo. Enquanto muitos competidores chegavam ao topo e posavam para fotos, eu seguia focado, ignorando a presença dos fotógrafos no chão, meu objetivo era apenas concluir.

Quando finalmente cruzei a linha de chegada, eu não me sentia cansado, não, como devia. Eu estava eufórico, feliz, me sentindo realizado. Era mais uma missão cumprida. Meu corpo ainda não doía, mas minhas pernas pediam uma pausa, e minha garganta pedia algo gelado. Porém, ao pegar aquela medalha que traz a caveira e a inscrição "Brutus Race", segurando-a com as mãos enlameadas e mostrando-a para a câmera com um sorriso gigante, eu voltei a lembrar porque estou ali pela 4ª vez. Aquele crânio não é um símbolo da morte, mas da resiliência. É o troféu de quem afundou, mas não se afogou! De quem caiu, mas se levantou! De quem teve medo, mas, foi com medo mesmo! E de quem, acima de tudo, aprendeu que a força não mora nos braços, mas na união de pessoas que enfrentam o mesmo barro! Sem frescura, sem esperar nada em troca do outro, sem receio de ajudar.

A Brutus Race não te cobra velocidade, não exige que seja o mais forte, ela exige entrega. Ela prova que os medos são apenas degraus para quem tem coragem de escalar. Se você está em busca de uma prova que fique marcada na carne e na alma, pois você vai sair de lá com diversas cicatrizes, a Brutus está aí. É sujeira, é esforço, é dor. Mas é, acima de tudo, a maior celebração da capacidade humana de superar, sorrir e abraçar o próximo — mesmo que ambos estejam cobertos de lama. Não importa se você é o primeiro ou o último a cruzar a linha de chegada, último que não existe, pois último mesmo é quem não se desafia! O importante é chegar lá, estender a mão para quem ficou para trás, e ter a certeza de que, quando o sol bater forte de novo, você estará ali, pronto para mais uma volta!

Patrick Fernando

Patrick Fernando

Graduado em Ciências Econômicas e Gestão Comercial por instituições privadas.
Intercambista em países como Chile, Irlanda, Polônia e Inglaterra.
Escritor.
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/patrick-fernando-210613111/