
Recentemente, um episódio envolvendo uma mãe que foi agredida enquanto seu filho autista estava em um momento de desregulação trouxe novamente à tona uma realidade que ainda precisamos discutir: o preconceito contra pessoas autistas e suas famílias.
Mais do que a própria situação, chamaram atenção os comentários que surgiram depois. Falas culpando a mãe, questionando sua conduta e afirmando que, se o filho poderia se desregular, “deveria ficar em casa”.
Mas, afinal, o que estamos dizendo quando responsabilizamos uma mãe pela desregulação de seu filho? O que estamos dizendo quando entendemos que uma pessoa autista só deveria ocupar espaços públicos se conseguir se comportar dentro daquilo que a sociedade considera aceitável?
Talvez esse episódio nos obrigue a olhar para algo que muitas vezes preferimos não enxergar: ainda existe uma expectativa de que a pessoa autista se adapte silenciosamente ao mundo, e não de que o mundo também aprenda a acolher suas diferenças.
Uma desregulação não deveria significar o fim do direito de estar em público. E uma família não deveria precisar escolher entre permanecer em casa ou enfrentar julgamentos sempre que uma situação difícil acontece.
Antes de apontar o dedo para uma mãe, talvez seja necessário perguntar: o quanto a nossa sociedade ainda precisa aprender sobre autismo?
