Ser Autista em uma Sociedade que Ainda Precisa Aprender

Coluna: Linccon Fricks

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Ser Autista em uma Sociedade que Ainda Precisa Aprender

Recentemente, um episódio envolvendo uma mãe que foi agredida enquanto seu filho autista estava em um momento de desregulação trouxe novamente à tona uma realidade que ainda precisamos discutir: o preconceito contra pessoas autistas e suas famílias.

Mais do que a própria situação, chamaram atenção os comentários que surgiram depois. Falas culpando a mãe, questionando sua conduta e afirmando que, se o filho poderia se desregular, “deveria ficar em casa”.

Mas, afinal, o que estamos dizendo quando responsabilizamos uma mãe pela desregulação de seu filho? O que estamos dizendo quando entendemos que uma pessoa autista só deveria ocupar espaços públicos se conseguir se comportar dentro daquilo que a sociedade considera aceitável?

Talvez esse episódio nos obrigue a olhar para algo que muitas vezes preferimos não enxergar: ainda existe uma expectativa de que a pessoa autista se adapte silenciosamente ao mundo, e não de que o mundo também aprenda a acolher suas diferenças.

Uma desregulação não deveria significar o fim do direito de estar em público. E uma família não deveria precisar escolher entre permanecer em casa ou enfrentar julgamentos sempre que uma situação difícil acontece.

Antes de apontar o dedo para uma mãe, talvez seja necessário perguntar: o quanto a nossa sociedade ainda precisa aprender sobre autismo?

Linccon Fricks

Linccon Fricks

Linccon Fricks Hernandes é psicólogo, mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local e especialista em Neuropsicologia, ABA e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Atua na avaliação e intervenção psicológica de crianças, adolescentes e adultos, com foco em transtornos do neurodesenvolvimento e da saúde mental, utilizando práticas baseadas em evidências científicas. Também é pesquisador, palestrante e docente em cursos de formação e pós-graduação.
Instagram: @lincconfricks.psicologo