Tratamento inédito no Espírito Santo contra câncer de fígado

Coluna: Donnie Allison

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Tratamento inédito no Espírito Santo contra câncer de fígado

O Hospital Santa Rita realizou, na última sexta-feira (27/02), a primeira Radioembolização Hepática com Esferas de Vidro (TheraSphere) do Espírito Santo, incorporando ao estado uma das mais avançadas tecnologias para o tratamento de tumores hepáticos.

O procedimento é minimamente invasivo e realizado em duas etapas, ambas dentro do Hospital Santa Rita, integrando a Sala de Hemodinâmica do Instituto do Coração e o Serviço de Medicina Nuclear da instituição, estrutura que permite a realização de terapias avançadas com alto nível de precisão e segurança.

A paciente, uma senhora de 83 anos, diagnosticada com tumor primário no fígado (carcinoma hepatocelular), passa bem e recebeu alta hospitalar no final do dia do procedimento.

A primeira etapa, denominada mapeamento, consiste no estudo detalhado dos vasos da área a ser tratada. Nessa fase, é avaliada a anatomia vascular do fígado e calculado o chamado shunt hepatopulmonar, que indica o risco de migração do material para os pulmões, permitindo simular o procedimento com segurança. Essa etapa foi realizada no dia 30 de janeiro.

Já a segunda etapa, correspondente à radioembolização propriamente dita, ocorreu na última sexta-feira (27/02), com a aplicação das microesferas de vidro contendo o radioisótopo Ítrio-90. A tecnologia permite entregar altas doses de radiação diretamente no tumor, com mínima toxicidade para o tecido hepático saudável ao redor.

O médico radiologista intervencionista do Hospital Santa Rita, Luiz Sérgio Pereira Grillo Júnior, responsável pelo procedimento, explica que o intervalo entre as duas etapas depende da logística de envio do material radioativo.

“Para cada paciente é calculada a dose necessária, que é preparada em laboratório especializado nos Estados Unidos e enviada diretamente ao hospital credenciado. No Espírito Santo, o Hospital Santa Rita possui a estrutura e o credenciamento necessários para a realização desse tipo de tratamento”, explica o médico.

Com essa realização, o Hospital Santa Rita passa a integrar o grupo de centros brasileiros habilitados a realizar a radioembolização com microesferas de vidro, tecnologia utilizada em instituições de referência como o Hospital Israelita Albert Einstein e o A.C. Camargo Cancer Center.

Equipe médica

Médico responsável: Dr. Luiz Sérgio Pereira Grillo Júnior – Radiologista Intervencionista do Hospital Santa Rita

Proctor: Dra. Aline Cristine Barbosa Santos Cavalcante – Radiologista Intervencionista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e do A.C. Camargo Cancer Center

Planejamento e cálculo da dose: Dra. Letícia Rigo – Médica Nuclear do A.C. Camargo Cancer Center

Medicina Nuclear – Hospital Santa Rita: Dr. Daniel Camisão Bortot – Médico Nuclear e Dra. Karina Nique Franz Silbermann – Física Médica

Instituto do Coração – Hemodinâmica: Dr. Renato Serpa – Coordenador do Serviço de Hemodinâmica e equipe de enfermeiros e técnicos da Hemodinâmica

O que é a TheraSphere - A Radioembolização Hepática com esferas de vidro, conhecida pela marca TheraSphere, é uma tecnologia avançada de radioterapia interna seletiva (SIRT) utilizada no tratamento de tumores de fígado, especialmente o carcinoma hepatocelular e algumas metástases hepáticas, quando a cirurgia não é possível.

O tratamento utiliza microesferas de vidro que contêm o radioisótopo Ítrio-90. Essas partículas são administradas diretamente na artéria que irriga o tumor, permitindo que a radiação seja liberada de forma altamente direcionada.

Como funciona a tecnologia - Diferente da quimioembolização, procedimento já amplamente utilizado, a radioembolização tem como principal mecanismo a ação da radiação, e não o bloqueio do fluxo sanguíneo.

As microesferas têm cerca de 32 micrômetros e se alojam nos pequenos vasos que irrigam o tumor. O Ítrio-90 emite radiação beta de alto poder, capaz de penetrar aproximadamente 2,5 milímetros no tecido, destruindo as células tumorais.

As esferas de vidro permitem administrar doses mais elevadas de radiação, sendo particularmente eficazes para tumores sólidos primários.

O procedimento é realizado por meio de cateterismo, geralmente pela artéria da virilha, guiado por imagem, sem necessidade de incisões cirúrgicas e com rápida recuperação.

Vantagens da radioembolização - Alta precisão; a radiação é direcionada diretamente para o tumor, poupando o fígado saudável; menor toxicidade sistêmica; por ser um tratamento localizado, apresenta menos efeitos colaterais do que a quimioterapia convencional; recuperação rápida; a internação, quando necessária, costuma ser curta, geralmente em torno de 24 horas; ação prolongada; o Ítrio-90 possui meia-vida de cerca de 64 horas, mas o efeito terapêutico pode persistir por até 11 dias.

Indicações - A radioembolização é indicada para pacientes com carcinoma hepatocelular irressecável, metástases hepáticas colorretais, colangiocarcinoma, tumores neuroendócrinos.  

O procedimento está incluído no Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para tratamento do carcinoma hepatocelular em estágio intermediário ou avançado, irressecável e sem doença extra-hepática para os quais a quimioembolização é inadequada, com ou sem trombose/envolvimento da veia porta.

Cuidados - Apesar de ser minimamente invasivo, o tratamento exige acompanhamento rigoroso. Entre os riscos possíveis estão a descompensação da doença hepática, podendo causar icterícia (pele amarelada) ou ascite (acúmulo de líquido no abdômen), em decorrência do impacto da radiação sobre o fígado remanescente.

Tratamento inédito no Espírito Santo contra câncer de fígado
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Donnie Allison

Donnie Allison

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